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Correio: Gastos com saúde têm a maior alta desde 2004




Publicado em 20/10/2015

Descrição:

Despesas com medicamentos e serviços médicos sobem 8,5% no período de 12 meses até setembro. Elevação de tarifas públicas e do dólar alimenta a carestia

RODOLFO COSTA

Sem solução para a crise econômica, não há remédio que cure a preocupação das famílias com o aperto no orçamento. Em setembro, os custos com o grupo de saúde e cuidados pessoais, um dos nove que compõem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulou alta de 8,5% em 12 meses, a maior taxa desde fevereiro de 2004. Naquele período, a elevação havia sido de 8,6%.

A inflação da saúde está ligada intimamente à pressão exercida pelos serviços. Na última década, hospitais, laboratórios e profissionais do setor aproveitaram-se do aumento da demanda — provocado pelos ganhos salariais possibilitados pelo crescimento econômico — para promover reajustes acima do custo de vida médio no país. No mês passado, somente os custos com serviços de saúde apresentaram alta anual de 10,53% — 1,04 ponto percentual acima da média geral do IPCA.

Além dos serviços, a elevação dos preços administrados e os aumentos salariais também são responsáveis pela carestia da saúde, segundo a gerente de pesquisa do IPCA, Irene Machado. “Médicos e dentistas estão arcando com mais despesas no consultório: energia elétrica, água, mão de obra e tarifa de transporte urbano. Tudo isso influencia o valor da consulta ou do procedimento cirúrgico”, destacou.     As indústrias voltadas ao setor, como a farmacêutica, enfrentam o mesmo cenário e ainda sofrem com a desvalorização do real. O presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, destacou que 90% dos insumos usados nos medicamentos produzidos no país são importados. “E ainda há aqueles que já vêm prontos do exterior”, reforçou ele, que alerta: os custos ainda não atingiram o ápice. “Muitos dos remédios comercializados no varejo foram comprados a um dólar de R$ 3,20. Quando esses estoques acabarem, as famílias inevitavelmente terão mais despesas”, emendou.

O diretor de Defesa Profissional da Associação Médica Brasileira (AMB), Emílio Cesar Zilli, ressalta que a incorporação de novas tecnologias exige renovação dos instrumentos utilizados pelos profissionais. “O próprio maquinário sofre variação da moeda norte-americana. E, se o câmbio não se distancia dos R$ 3,80, é óbvio que essa incorporação fica sujeita a um aumento radical”, avaliou.

Desafio

O tempo em que produtos farmacêuticos eram vendidos com até 60% de desconto, segundo Mussolini, não se repetirá tão cedo. Pior para o consumidor. A caminhoneira Maria de Jesus, 59 anos, tem a certeza de que continuará tendo mais despesas com remédios. “Até o começo do ano, eu gastava cerca de R$ 80 por mês. Hoje, não são menos de R$ 200”, afirmou. Para ela, administrar o plano de saúde também tem sido um desafio. “Até julho, a mensalidade era de R$ 500. Em setembro, saltou para R$ 1,4 mil. Eu deixo de ter uma boa alimentação e uma roupa melhor para custear os medicamentos e o plano de saúde”, disse.

Devido à demanda mais enfraquecida — em decorrência da inflação e do aumento do desemprego —, Márcio Milan, economista da Tendências Consultoria, prevê custos com saúde mais moderados ao longo dos próximos meses. O freio no consumo, no entanto, não impedirá que o grupo de saúde e cuidados pessoais feche o ano com alta superior a 8,7% — que seria a maior desde 1999.

Em 2016, não deverá ser muito grande. A inflação próxima dos 10% neste ano deve pressionar os custos dos planos de saúde, que poderão ter reajuste próximo ou superiores aos 13,55% autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 2015, para os convênios individuais e familiares. Para Milan, esse efeito vai puxar os custos com saúde e cuidados pessoais, que fecharão o próximo ano em 6,6%, 0,1 ponto percentual acima da média projetada para o IPCA. (Colaborou Mariana Areias)

"Muitos dos remédios comercializados no varejo foram comprados a um dólar de R$ 3,20. Quando esses estoques acabarem, as famílias terão mais despesas”

Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo

Em ascensão

Alta do custo de vida não dá trégua à população

Inflação da saúde (em %) Índice, que inclui cuidados pessoais, é o maior desde o início de 2004 no acumulado de 12 meses

Set/14    6,9

Out/14    6,9

Nov/14    6,9

Dez/14    7,0

Jan/15    6,8

Fev/15    6,7

Mar/15    6,9

Abr/15    7,3

Mai/15    7,4

Jun/15    7,7

Jul/15    8,1

Ago/15    8,3

Set/15    8,5

Os itens de maior alta 

(em % em 12 meses) Veja o que está pesando mais no bolso

Artigos ortopédicos    21,42

Produto para barba    14,26

Absorvente higiênico    13,78

Produto para higiene bucal    11,23

Dentista    11,22

Plano de saúde    11,18

Psicólogo    10,98

Aparelho ortodôntico    10,95

Gastroprotetor    10,72

Papel higiênico    9,62







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